Minha Vida
Gaestebuch02

Meu nome é Ró Mildner, sou artista plástica e vivo na cidade de Berlim, Alemanha há 7 anos.

Nasci em 19 de julho de 1964
Hoje com 41 anos parei para escrever em poucas linhas o que vivi            
Com 1 dia de nascida, minha vida ja corria risco
E parece que o risco continuou a existir por todo o percurso dela
Nasci de nádegas
Cheguei ao contrário no mundo

Ainda pequena, uma tesoura atravessou a minha boca
Esta tesoura estava no colo da minha mãe, uma trabalhadora
A quem eu buscava esconder meu rostinho de bebê no seu colo
Ela trabalhava muito para compensar o incêndio da oficina e moinho de café
do meu pai para que não faltasse nada a seus cinco filhos

Me queimei aos oitos meses no colo da minha tia com café quente
deixando marcas no meu braco até hoje

Quando pequena fiquei presa em um banheiro de uma loja com minha mãe
E até hoje lembro-me olhando por debaixo da porta à espera de ajuda
Cair em um boeiro, bati o rosto em um poste e ficou terrivel
Fui atropelada por um bicicleta
De fato, foram milhares de outros incidentes devido andar sempre nas nuvens

Amo dançar e até mesmo representava na escola
Era dancarina, escrevi peças de teatro
Passei em um teste de seleção na área de instrumentação industrial
Em primeiro lugar depois de concorrer com 3000 pessoas
Sempre tive uma época para cada habilidade

Era estudiosa, aprendia com facilidade física e matemática
Mas odiava língua estrangeira
Até a minha
Tinha uma super memória
Coisa que me falta hoje

Cresci acreditando num Criador e
Vivo minha vida devotada a essa crença

Vivi uma vida de adolescente normal
Batendo-me e ferindo-me por todos os móveis
Aos 16 anos perdi meu sobrinho de quatro anos
Filho de minha irmã mais velha

Foi como se um vento entrasse na minha casa
Abrisse as portas e fosse levando todos os meus bens
Sofri
Contudo, tornei-me mais temente a Deus

Meu cérebro não contou conversa e começou a brigar comigo (sic)
Criando-me doenças, efeito da dor que ele sentia
E que eu negava através do sorriso

Em seguida desenvolvi a Síndrome de Doc

Minhas mãos necessitavam ser lavadas por muitas vezes
E quando não fazia meu cérebro massacrava-me
Era um começo de um sofrimento sem fim

Sacos voando nas ruas era motivo para correr
Porque achava que iriam tocar-me
Às vezes lavava a roupa várias vezes para acreditar que estava limpa
E usava muitos produtos de limpeza
Tomava de 3 a 4 banhos por dia
Hoje guardo sequelas disso através da asma

Casei com meu primeiro amor, virgem
Numa linda cerimônia, aos 21 anos
Viajamos muito como missionários

E conheci muito do Brasil e sobre as pessoas
Aprendi com as dificuldades
O que é realmente ser humano

Mas a síndrome de Doc acompanhava-me
E por diversas vezes adormecia nos braços do meu marido chorando

Ele prendia-me para eu nao levantar e lavar as mãos durante a noite
Hora que necessitava de descanso devido um dia cheio
Cheio de contatos com doentes, e pessoas com problemas típicos atuais

Entretanto para muitos, a minha síndrome só era motivo de piada ,
Para mim era viver com um mau que tirava-me a alegria de viver

Depois de oito anos de casados ele morre nos meus braços
Num acidente de carro onde eu estava e nao havia perdido o sentido

Com amnesia e sangrando corria numa estrada como uma louca

Havia perdido alguém que realmente me conhecia
E que me amou até o final
Declarando isso a mim antes do encapotamento do nosso carro
naquela estrada isolada de Goiás

Naquele dia parecia que aquele primeiro vento
Que levou meu sobrinho quando eu tinha 16 anos
Minha vó, um figura lendaria, aos meus 23 anos

E depois, meu irmao três meses antes do acidente, assassinado
Agora estava levando a metade de mim nos meus 29 anos

E como ficaria eu de pé agora?

Nesse momento surgi

Uma mulher que alguns chamam de artista

que domina a dor

Através das cores

Que transforma lágrimas em traços

 

Que canta o amor

Que segura o sol

E que ri para a lua

 

E que anda no mar de sentimentos

Lutando e sobrevivendo a tufões

E ela surge para me por de pé

Uma menina assustada e quase morta naquele acidente

 

E consegue me segurar e me fazer lutar até hoje

 

Mas meu passado involuntariamente me acompanha

E se transforma em Síndrome de Pânico

E mutila e corta minhas asas

E corta meus conhecimentos

Não consigo aprender com facilidade e esqueço muito

Não tenho concentração e, tampouco lembro-me muito do passado

 

Isso às vezes é motivo de alguns pensar que há falta de inteligência em mim

Contudo não me importo

O que procuro sempre é a verdadeira sabedoria

Essa é a que enaltece o ser humano

 

E mudar meu ser

 

Meu pai encorajava-me cuidava dos meus ferimentos

Me acomanhava nas noites sem dormir

Então morre devido um infarto no coracao três meses após o acidente

 

Os homens da minha vida se vão e meu coração com eles

 

A sensacão de abandono e falta de proteção é grande

Agora a Síndrome de Doc ganha um parceiro mutilador

A Síndrome de Pânico

E a Depressão

 

E meu cérebro massacra-me

Fico inerte em uma cama

Por muitos meses com gesso no ombro

Esquecimento

Falta de apetite

Somente a arte, as tintas dão formas ao meu mundo

 

Fico de pé, de novo

 

 

Mesmo com medo

Transformo o medo em ações

 

 

Casei-me depois de seis anos de viúva com um alemão

A quem amo de verdade

Transformando os meus medos e tornando-me mais forte

 

Travei lutas

Tive que acustumar-me com a escuridão e o silêncio da Alemanha

Que me amedrontou no começo

E a frieza européia

 

Contudo aprendi a tirar o melhor de um povo

 

Depois de conviver com vários outros males físicos

Que se aproveitam da minha sensibilidade emocional

Hipertensão, asma e sequelas do acidente passado

 

Crio o evento Arte em Movimento que tem o objetivo de

 

Ajudar pessoas com depressão e outros problemas emocionais a sobreviver

E nao terem vergonha de falar

e procurarem a cura

 

Estar depressivo nao é fraqueza

Para se enfrentar distúrbios emocionais

dependemos de muita força

E só alguém forte pode sobreviver vivendo com a depressão

 

 

Agora estou lutando contra um segundo assassinato

O de um inocente

Meu irmao

Que morreu nas mãos de Isnaldo, um assassino

Aos 38 anos deixando sua filha grávida

 

O assassino do meu irmão foi um amigo de infância

Um Deus do mau que cortou o círculo de história da minha família

E enterrando mais um homem da nossa família

 

Quero justiça Brasil

A morte de meu irmao Isnaldo levou a nossa historia

Um pedaço de nós

 

Ele merece cadeia

 

Agora luto contra um tumor que mora no meu útero

 

Com tudo isso aprendi

O criador nunca me deixou só

É o nosso melhor amigo

Porque ele que nos fez e sabe da nossa constituição

O conheco por nome

Não desistam de lutar

Não existe escuridão que a luz não possa clarear

 

 

Será que tenho currículo para te ajudar a sair da depressão

Contrate os meus serviços

Estarei pronta a ouvir e ajudá-lo


 

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